Crítica | A Grande Viagem da Sua Vida
- Cinema ao Máximo
- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Mesmo emocionalmente ambiciosa, fantasia romântica com Colin Farrell e Margot Robbie não sustenta a verossimilhança

Eu estava empolgadíssimo com o título "A Grande Viagem da Sua Vida", não só pelo elenco de carisma incontestável, mas principalmente pela história de força emocional incomum. A trama gira em torno de dois desconhecidos em uma aventura mística que os leva a revisitar o passado e, quem sabe, rabiscar um novo futuro.
Gosto muito de narrativas que exploram personagens em suas jornadas de autodescoberta. Um exemplo é "Soul", uma animação da Pixar que segue um professor de música em sua busca para valorizar a dádiva da vida. Outro é "A Verdadeira Dor", uma comédia dramática da Searchlight Pictures, onde dois primos buscam entender melhor a si mesmos.
Destruindo aos pouquinhos qualquer expectativa boa que eu poderia ter, o longa dirigido por Kogonada não conseguiu me convencer nem um pouquinho com seu enredo. Assim que os solteirões David e Sarah se esbarram em um casamento de amigos, a mesmice toma conta de tudo. De modo trivial, o casal principal não se dá o menor trabalho de questionar a bizarrice que é atravessar portais para reviver momentos cruciais do passado, como se isso fosse a coisa mais normal do dia a dia. Esse toque artificial anulou toda boa intenção da produção. Não vou mentir, a premissa é superinteressante, só é uma pena que não foi tratada com o carinho que merecia.
O ritmo do roteiro é prejudicado pela incômoda ausência de química entre os protagonistas, resultante de diálogos carentes de espontaneidade. No entanto, há aspectos técnicos que merecem ser destacados e que, apesar de diversos fatores que tentam ofuscá-los, ainda conseguem brilhar: a lindíssima fotografia, que combina cores vibrantes de forma harmoniosa com o tom fantasioso do conto, é enriquecida por cenários que encantam os olhos. Uma prova disso é quando David e Sarah são guiados por um mágico GPS até um farol no Canadá, e também quando visitam um mirante na montanha, de onde têm uma vista deslumbrante do planeta inteiro.
A impressão negativa que tive de "A Big Bold Beautiful Journey" é super parecida com a que tive com "Aqui", um drama de fantasia realizado por Robert Zemeckis. Mesmo ambos tendo boas intenções, eles acabam se destacando mais pela aparência visual bonita, mas deixam a desejar em outros pontos importantes.
Para descobrir a felicidade no presente, os personagens principais são instigados a refletir sobre seu passado, traumas e escolhas, visando curar feridas emocionais. Contudo, quando a mensagem central do filme começa a se consolidar de maneira envolvente, já é tarde demais, e a história já parece excessivamente forçada. Nem sequer o talento dos atores Colin Farrell e Margot Robbie consegue mitigar a evidente falta de autenticidade dos eventos apresentados.

Pedro Barbosa
Sinopse: Dois desconhecidos se envolvem em uma aventura mística que lhes permite reviver o passado e, talvez, reescrever o futuro.
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