Crítica | A Empregada
- Cinema ao Máximo
- 3 de jan.
- 2 min de leitura
Thriller psicológico baseado em best-seller resgata o vigor dos suspenses clássicos com ritmo firme e atuações explosivas

Sem ter lido o best-seller da Freida McFadden e sem saber do que se tratava o filme dirigido por Paul Feig, resolvi assistir "A Empregada" no cinema. Gostei bastante, principalmente porque o longa consegue passar de maneira bem eficiente os elementos que fazem um thriller psicológico ser envolvente: temas de obsessão, segredos guardados e reviravoltas que viram o jogo.
A trama da obra me remeteu, à primeira vista, às produções do canal Lifetime, geralmente marcadas por dramas previsíveis e exagerados sobre relacionamentos que deveriam ser confiáveis. Ainda assim, apesar dessa comparação inicial um tanto desconfiada, fui surpreendido pela forma segura com que o cineasta Paul Feig soube manipular os clichês inevitáveis do gênero. Em vez de tentar mudar o título para algo que ele não era, ele abraçou essas convenções e as utilizou a seu favor. O resultado foram reviravoltas bem construídas, capazes de me manter imerso na narrativa, aguardando com ansiedade cada novo e ousado acontecimento da história, conduzida por um ritmo firme e consistente.
Sydney Sweeney entrega uma atuação sólida e convincente como a empregada de perfil reservado, uma jovem com uma história complicada que encontra na residência de um casal cercado de luxo a esperança de um novo começo. Ela consegue captar a essência protetora de Millie, e a intensidade de sua jornada interior não perde impacto em nenhum momento. Com atuações arrebatadoras, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar consolidam a força do elenco. Amanda surpreende com uma interpretação que mistura doçura e perturbação, dando vida a uma Nina mentalmente instável, enquanto Brandon traz uma presença mais contida para viver Andrew, o que é fundamental para sustentar a aparência quase perfeita da família Winchester. Mesmo com pouco tempo em cena, Michele Morrone faz uma aparição precisa e expressiva, suficiente para imprimir personalidade ao seu papel.
À medida que a situação na mansão, aparentemente maravilhosa por fora, se torna cada vez mais tensa, a atuação do time de atores principais passa a merecer cada vez mais o meu apreço. Sem antecipar surpresas, posso dizer que a saga de Nina Winchester é intensa no ponto exato para prender você do início ao fim. Ela transita de uma meiguice levemente suspeita para uma obsessão assustadora, totalmente empenhada em transformar a vida de Millie em um verdadeiro labirinto de armadilhas. Por diversas vezes, me vi genuinamente preocupado com a protagonista, a ponto de soar até engraçado, o que diz muito sobre a força do envolvimento que a película provoca.
Com uma combinação afiada de suspense psicológico, sensualidade discreta e humor ácido, "The Housemaid" recupera o espírito dos thrillers que já fizeram grande sucesso nos cinemas. Ao focar na emoção e na adrenalina, em vez de enredos rebuscados, o filme entrega uma experiência imersiva e muitíssimo divertida. Adorei de verdade!

Pedro Barbosa
Sinopse: Millie é uma mulher passando por dificuldades que se sente aliviada com a chance de um novo começo como empregada doméstica de Nina e Andrew, um casal rico. Logo, ela descobre que os segredos da família são muito mais perigosos do que os seus.
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