Crítica | A Maldição da Residência Hill: Temporada 1
- Cinema ao Máximo
- há 5 dias
- 3 min de leitura
Misturando um terror de arrepiar com um drama familiar de partir o coração, minissérie de Mike Flanagan entra fácil na lista das melhores histórias de fantasmas, com atuações emocionantes e uma direção afiadíssima

Já faz alguns anos que "A Maldição da Residência Hill" saiu na Netflix, lá em 2018, e até hoje minha admiração por essa minissérie de terror criada pelo Mike Flanagan continua enorme. Pra mim, ela segue sendo a melhor produção original da Netflix e uma das minhas séries favoritas da vida. Esses dias bateu a vontade de assistir de novo, já que fazia um bom tempo desde a última vez. Acabei de rever tudo e, como já era de se esperar, fui mais uma vez completamente envolvido pela história de assombração cheia de camadas que a minissérie apresenta.
A produção nos convida, ao longo de 10 episódios esplendidamente construídos, a entender os traumas, medos e segredos que atormentam cada integrante da família Crain. A psique deles foi profundamente marcada desde o dia em que pisaram em uma residência antiga mal-assombrada. É realmente prazeroso acompanhar a forma habilidosa como os acontecimentos do passado, quando os cinco filhos ainda eram crianças, se entrelaçam às vivências do presente, já na vida adulta.
Na tentativa de reformar a Residência Hill para depois vendê-la, o casal Hugh e Olivia se muda para lá com seus cinco filhos, Shirley, Steven, Theo e os gêmeos Luke e Nell, sem imaginar que enfrentariam fenômenos sobrenaturais que marcariam suas vidas para sempre. Uma das coisas que mais admiro no trabalho de Mike Flanagan é a maneira sutil com que ele escolhe os momentos certos para a aparição dos fantasmas, fazendo com que cada um deles tenha um efeito arrebatador. Pra mim, foi impossível não me sentir assustado e emocionalmente tocado de uma vez só com vários eventos. Fica claro que o horror e o drama se misturam de modo excepcional nessa série.
São muitos os pontos positivos de "The Haunting of Hill House", e um dos que mais chamam atenção é a qualidade técnica das cenas de terror. As assombrações surgem de forma elegante e são reforçadas por um ótimo processo de maquiagem, capaz de transmitir bem o aspecto mofado dos espíritos. Para deixar tudo ainda mais assustador, os movimentos de câmera são usados com bastante inteligência, ajudando muito na construção do suspense. Um dos capítulos que mais me marcou foi o sexto, com seus longos planos-sequência, que só reforçam uma impressão que tive desde o começo da minissérie: o elenco é simplesmente perfeito, tão bem escalado que fica difícil pensar em outros atores nesses papéis.
Tanto as versões jovens quanto adultas dos personagens são fabulosamente interpretadas por um elenco afiadíssimo. Lulu Wilson, Paxton Singleton, Mckenna Grace, Julian Hilliard e Violet McGraw conseguem imprimir às crianças a inocência necessária para encarar os fantasmas da antiga mansão, enquanto Elizabeth Reaser, Michiel Huisman, Kate Siegel, Oliver Jackson-Cohen e Victoria Pedretti dão vida aos adultos, explorando com sensibilidade e entrega as marcas deixadas pelas feridas do passado. Todos têm espaço para brilhar, muito por conta dos diálogos bem escritos, cheios de significado e fundamentais para o ritmo fluido do enredo. Para completar o time, Henry Thomas e Timothy Hutton vivem Hugh em etapas diferentes da vida com grande sensibilidade, e Carla Gugino se sobressai em uma de suas melhores performances como Olivia. Essencial para a trama, a personagem ganha ainda mais força graças à atuação marcante da atriz, que conseguiu despertar em mim uma empatia profunda e genuína.
"A Maldição da Residência Hill" traz uma das narrativas fantasmagóricas mais profundas que já vi, usando o sobrenatural como uma metáfora para discutir a complexidade da mente humana. A obra mistura muitíssimo bem o horror com um drama familiar que atravessa gerações, carregado de uma profundidade emocional enorme. Posso dizer, sem exagero, que você provavelmente vai tirar reflexões importantes dessa produção, assim como eu, e também se impressionar com a cinematografia em tons azulados, que transmite melancolia, frieza e isolamento, reforçando ainda mais a atmosfera opressiva da obra. Outro ponto forte é a trilha instrumental dos The Newton Brothers, que acompanha o desenvolvimento da história de maneira precisa e potencializa o tom melancólico e sensível da série.

Pedro Barbosa
Sinopse: Entre o passado e o presente, uma família dividida confronta memórias assustadoras do antigo lar e dos eventos aterrorizantes que os expulsaram de lá.
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